quarta-feira, 18 de maio de 2011

Onde está Deus nisso?

Minha última postagem nesse blog foi no dia 6 de maio e aquele poema já havia sido escrito antes que eu criasse o blog. Ele foi escrito em minha mesa no trabalho, sem muitas pretensões, e as primeiras pessoas que o leram foram os colegas que trabalham comigo naquela sala. Na realidade, depois de escrever aquele texto, o que eu mais ansiava era o fim do meu expediente no trabalho para que eu mostrasse à minha esposa, Débora, o que eu havia escrito naquele dia. Minha esposa está estudando artes e eu acreditava que ela seria a pessoa ideal para ler aqueles versos.

Ao chegar em casa fui correndo mostrar a ela meu maior feito daquele dia e, claro, esperar suas reações como esposa e crítica. Quando terminou de ler ela levantou seus olhos e, com a dúvida permeando sobre todo o ambiente, perguntou: “O que você quis dizer aqui?”. Com certeza toda a expectativa do meu dia acabava naquele momento e todo o tempo e inspiração investidos naquele papel caiam sobre o chão da minha casa. Mas, mesmo assim, após uma pequena “bufadinha” disse a ela que para mim o amor não estaria transposto pelas "belas palavras" ou pelas rimas de “amor e dor” ou ainda no sentido esperado do poema. Para mim o amor estava simplesmente no ato de escrever. O amor que depositei naqueles versos me fazia um poeta romântico somente pela vontade e atitude de descrever um sentimento, mesmo que de uma forma que, para muitos, não tenha o menor sentido.

Débora: -- Você é muito doido, sabia?

E antes que eu pudesse esboçar qualquer expressão facial ou dizer qualquer palavra ela completou dizendo: “Você é muito talentoso”.

Tá certo que pesquisas feitas com mãe e esposa não têm as melhores metodologias, mas naquele dia, diante dessas duas frases tão conflitantes (ou não), entendi que minha arte pode dizer muito de mim, mesmo que eu não queira dizer absolutamente nada por meio dela.

Há pouco tempo li um livro de Paulo Brabo, um autor, um tanto quanto polêmico e intrigante, mas que muito me edificou. “Em 6 passos o que faria Jesus” é o nome do que ele mesmo chama de um “novíssimo manual de conduta do seguidor de Jesus”. Uma passagem desse livro fala algo sobre como devo me submeter a Deus e, ao mesmo tempo, me esquecer dEle. A palavra submeter remete a domínio, comando, freio, mas o bom entendimento desse trecho traz um antagonismo atraentemente desejável e perfeitamente possível.

Não é necessário que eu me lembre, constantemente, que sou homem para agir como tal. O ato de respirar é indispensável à minha sobrevivência, no entanto, não tenho que me policiar nesse sentido sobre o perigo eminente de morrer. Sujeitar-se a Deus é estar em comunhão a ponto de seus atos, suas palavras, seus sentimentos, sua arte, seu olhar e sua vida estarem naturalmente com o caráter e o sabor de Deus. Jesus, apontando o dedo na cara dos fariseus e os chamando de “Raça de víboras”, disse que “do que há em abundância no coração, disso fala a boca”. Sua arte não precisa falar a palavra “Deus” para falar de Deus. Mas toda a arte, toda atitude, toda voz, todas as palavras, por mais plasticamente perfeita, por mais criativa ou pela maior das boas intenções, se não tiver “O amor” de nada vale.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O acaso do poeta

Quero escrever um poema.
Algo que fale de amor.
Mas como se escreve um poema?
Será que devo escrever
cada frase numa linha?
Ou será que se eu escrever tudo direto, assim, sem me preocupar com a métrica, também fica legal?
Preciso compor tudo em rimas,
ou só dizer o que me fascina já me faz um poeta?
Será que por muito perguntar o “será”
e será que, por muito perguntar,
o efeito do poema pode se perder pelo ar?
O fato é que eu quero dizer
que nada quero dizer.
Apenas quero fazer.
Porque só pelo ato de fazer já posso dizer
que eu pude escrever
algo que ninguém nunca soube fazer.
Assim, se a arte pode expressar
a simples pureza da expressão
ela mesma se encarrega de mostrar
o que nunca diz meu coração
O que você nunca vai saber
se eu não passar a escrever
e, ainda assim, se você não se interessar em ler.
Pra todos os efeitos fica claro que a poesia pode ser escrita
e só por ser escrita ela expressa
e só por expressar ela já mostra
àquele que a escreveu
que muitos de seus conceitos, na verdade, não passam de suspeitos.
Não tô entendendo nada!
Ora, essa não era uma poesia pra falar de amor?
Pois bem, acabo de escrever uma poesia
e de nada falei a não ser do amor.