sexta-feira, 6 de maio de 2011

O acaso do poeta

Quero escrever um poema.
Algo que fale de amor.
Mas como se escreve um poema?
Será que devo escrever
cada frase numa linha?
Ou será que se eu escrever tudo direto, assim, sem me preocupar com a métrica, também fica legal?
Preciso compor tudo em rimas,
ou só dizer o que me fascina já me faz um poeta?
Será que por muito perguntar o “será”
e será que, por muito perguntar,
o efeito do poema pode se perder pelo ar?
O fato é que eu quero dizer
que nada quero dizer.
Apenas quero fazer.
Porque só pelo ato de fazer já posso dizer
que eu pude escrever
algo que ninguém nunca soube fazer.
Assim, se a arte pode expressar
a simples pureza da expressão
ela mesma se encarrega de mostrar
o que nunca diz meu coração
O que você nunca vai saber
se eu não passar a escrever
e, ainda assim, se você não se interessar em ler.
Pra todos os efeitos fica claro que a poesia pode ser escrita
e só por ser escrita ela expressa
e só por expressar ela já mostra
àquele que a escreveu
que muitos de seus conceitos, na verdade, não passam de suspeitos.
Não tô entendendo nada!
Ora, essa não era uma poesia pra falar de amor?
Pois bem, acabo de escrever uma poesia
e de nada falei a não ser do amor.

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